O artigo Ecologia da Paisagem ao Sabor da Terra, que consta no livro Educação Ambiental, foi escrito pela professora da UEL – Universidade Estadual do Paraná, Profª Dra. Lúcia Helena Gratão, ante a relevância do tema, e a abordagem feita pela autora, busco contribuir para a visão das potencialidades turísticas no interior do estado de Pernambuco. O referido livro foi organizado por Giovanni Seabra, professor doutor da UFPB – Universidade Federal da Paraíba, Editora Universitária da UFPB, João Pessoa – Paraíba, 2009. Educação Ambiental foi produto do “I Congresso Nacional de Educação Ambiental e III Encontro Nordestino de Biogeografia”. Nele Gratão dimensiona a importância do espaço geográfico, da culinária e da memória.
A memória do sabor projeta a percepção da paisagem. Essa percepção preserva o que nela estão impressos através dos sentidos dando ao sabor a dimensão do gosto. Portanto, gosto e sabor estão impressos na paisagem, e sendo o comer um ato experiencial em nossas vivências deve ser explorado. A cozinha é um prolongamento dessa dimensão, onde os cheiros e o gosto da comida de nossos antepassados; avós, madrinhas e mães estão na memória. Segundo Bonnemaison, (1981, p. 255):
“O espaço social é produto, o espaço cultural é estímulo. O primeiro é concebido em termos de organização e de produção, o segundo em termos de significação e de relação simbólica. Um emoldura, o outro é o portador do sentido”.
(Bonnemaison, 1981)
Nesse sentido o turismo como atividade que nos direciona ao conhecimento dos espaços e da cultura é moldura adequada à memória do sabor.
A sanfona como o sabor faz parte da cultura nordestina. O registro dessa afirmação está clara na associação feita pelo ícone da musicalidade nordestina de Exu, Pernambuco, Luis Gonzaga, símbolo da música do sertão pernambucano, quando compôs “Baião de Dois”, em parceria com o cearense Humberto Teixeira.
A letra da música mostra como há uma efetiva ligação proposta no artigo de Gratão. O prato nasceu como expressão da paisagem do sertão nordestino, compondo-se da simples mistura do feijão-com-arroz, toucinho, algum tempero e um pouco de farinha, nada mais. Gratão (2009).
Baião de Dois.
Capitão que moda é essa
Deixe a tripa e a cuié
Homem não vai na cozinha
Que é lugar so de mulhé
Vô juntá feijão de corda
Numa panela de arroz
Capitão vai já pra sala
Que hoje tem baião de dois
Ai, ai, ai
Ai baião que bom tu sois
Ó baião é bom sozinho
Que dirá baião de dois
(Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1950).
Sendo, assim, musica, culinária e paisagem se unem na memória dos sabores do sertão pernambucano, o que vem corroborar para a potencialização cultural da região e da atratividade turística do interior do estado de Pernambuco.
Referência
Seabra, Giovani (Organizador), Educação Ambiental, João Pessoa, Paraíba, editora Universitária da UFPB, 2009. Capitulo 02, págs. 25 a 38.
Ensaio elaborado por:
Iracema Santos Carvalho dos Anjos (integrante da Secretaria do Evento), estudante do curso superior de Gestão em Turismo do IFPE – Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Pernambuco – Campus Recife.
email:
Recife, PE, 04 de julho de 2009.
Imperdível a palestra que será ministrada pelo Professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Bruno Celso Vilela Correia, sobre "Gastronomia e Turismo no Interior: culinárias típicas", no II Ciclo de Palestras do IFPE: Potencialidades Culturais de Pernambuco.
Mais detalhes sobre a programação do evento:
Belo ensaio da nossa colega Iracema! Soube unir de forma honrosa esses 3 elementos e ainda deu água na boca! Mais mesmo também terá no dia 11 de Agosto!
ResponderExcluirParabéns pelo texto!
Flávia
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira + gastronomia+ turismo . Arrebentou Iracema
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